A liberdade desta canalha é tamanha, que se julgam no direito de reivindicar indenizações e títulos de heróis, como prêmios, aos torturadores e criminosos de guerra daquele período.
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Mais uma vez Luiz Inácio mostra a essência de seu oportunismo ao selar um novo pacto com os setores mais reacionários da sociedade brasileira, principalmente com os genocidas e torturadores que gerenciaram o Estado brasileiro a partir de 1964.
O episódio em volta do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, aclamado como a redenção total pelos partidos oportunistas e revisionistas, como PT e PCdoB, e por movimentos corporativizados pelo Estado revelou mais um desdobramento da estratégia eleitoral do atual gerente de turno.
Após a divulgação do decreto no final do ano se sucederam uma série de declarações que defenderam e atacaram o Plano, numa suposta rinha palaciana envolvendo quase todos os ministérios. Paulo Vanuchi disse que renunciaria se o Plano fosse alterado, Nelson Jobim declarou não aceitar o texto como estava, etc. Tudo isso até Luiz Inácio regressar de suas férias e, olímpica e magnanimamente, resolver a parada, acomodando a todos e posando de poderoso.
O ponto principal da "celeuma" estava localizado no capítulo que tratava dos crimes de guerra cometidos pelos militares durante o regime militar fascista que sequestrou, prendeu, torturou e assassinou milhares de democratas, patriotas e revolucionários brasileiros. O 3º PNDH prevê a constituição de uma "Comissão da Verdade e Conciliação" que no texto original se propunha a investigar "violações dos direitos humanos no contexto da repressão política".
Generalidade como esta foi suficiente para o berreiro da reação que, encabeçada por Nelson Jobim, ocupou os monopólios de imprensa por mais de uma semana. Choveram artigos acusando o governo de "revanchista" (uma alusão aos "vencidos de ontem", proclamados "vencedores de hoje"), etc.
O texto corrigido determina que tal comissão irá "examinar as violações aos direitos humanos praticadas no período fixado no artigo 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional", o que contempla as reivindicações dos militares, que exigem que se investigue e criminalize (de novo) as ações dos grupos armados e revolucionários contra o Estado gerenciado por eles.
Tal "correção de rumo" não passa de mais uma manobra, uma vez que o próprio Plano não passava de uma carta de intenções do governo para se cacifar com alguns setores dos "movimentos sociais" que reivindicam a apuração dos crimes cometidos pelos militares. Fingindo-se de pressionado por ambos os lados, Luiz Inácio pode dizer que tentou agradar a todos, não agradando ninguém.
Mas engana-se quem acha que ele não agradou mesmo a ninguém, porque em ano eleitoral e com uma candidata egressa dos grupos que contestaram de armas na mão o regime militar, um novo pacto com os militares e a extrema direita a livraria de um bombardeio midiático que poderia naufragar seu projeto de continuidade. A tarefa é difícil, já que Dilma nem de longe possui a habilidade e apelo popular de seu tutor.
Ademais, tal pacto é apenas a renovação de outro, mais antigo, que assegurou a eleição de Luiz Inácio em 2002. Em contra-partida, o operário padrão do FMI se comprometeu a não ordenar a abertura dos arquivos do gerenciamento militar fascista, não empreender esforços sérios de busca por desaparecidos e, sobretudo, não revelar a matança praticada contra os guerrilheiros do Araguaia.
Durante o gerenciamento do PT-FMI os militares e demais membros dos órgãos de repressão continuaram circulando com toda liberdade em todas as esferas do Estado, determinando políticas na área da "defesa", mantendo intacto o aparato repressivo, de espionagem e a Lei de Segurança Nacional, que segue encarcerando lutadores do povo até hoje, e, destruindo os arquivos da repressão.
Da forma mais descarada, promotores e financiadores da repressão política, torturadores e criminosos de guerra confessos seguem fazendo declarações, mantendo páginas na internet, escrevendo colunas na imprensa e livros exaltando seus crimes cometidos em defesa de um Estado fascista e genocida, além de, usar todo este material nas escolas de formação das Forças Armadas.
A liberdade desta canalha é tamanha, que se julgam no direito de reivindicar indenizações e títulos de heróis, como prêmios, aos torturadores e criminosos de guerra daquele período.
Outra patranha é o levantar da bandeira da "Comissão da Verdade e Conciliação" como organismo onde a verdade se fará presente. Tais comissões, na verdade uma determinação do imperialismo para dar um apanágio de concertação aos países saídos de regimes militares, concluem-se sempre sem apresentar a verdade e conciliando os renegados com seus antigos algozes. Ora, não conhecem os ilustres defensores de tal idéia as experiências levadas a cabo no Chile e no Peru?
Neste último, o relatório da comissão apontou como verdade que 70 % dos mais de 70 mil mortos e desaparecidos entre os anos de 1980 e 2000 – período da Guerra Popular dirigida pelo Partido Comunista do Peru, PCP, que corresponde desde seu início até o fim do regime de Alberto Fujimori – eram de responsabilidade do PCP. Interessante mesmo dessa "verdade" é que, apesar de oficialmente estar decretada a derrota completa da guerrilha ela é a responsável pela imensa maioria de mortos e desaparecidos e os 30% restante atribuído às genocidas forças do Estado – especialmente o Exército Peruano – abarca unicamente os episódios onde a autoria dos militares era de tal forma patente que era impossível refutar. Assim, estabelecida a verdade de classe, da grande burguesia, dos latifundiários e do imperialismo, que as vítimas descansem em seus túmulos, está feita a conciliação.
Mas a questão mais horrenda não é a de que os promotores de tal "comissão da verdade" ingenuamente tivessem a ilusão de que, por força de um decreto – por mais conciliador com os crimes do regime militar que fosse – o velho Estado brasileiro investigasse seus próprios crimes. Não, é pior, trata-se de um segundo acordo de traição que repare as dubiedades do primeiro, a Lei de Anistia. E feito da forma mais calhorda possível, ou seja, encenando para enganar incautos. Primeiro propõe-se apurar e punir os responsáveis pela repressão política e torturadores para logo, em razão do berreiro da reação, fingir não ceder nada e em seguida demonstrar satisfação por se ter chegado a um acordo. Mais uma vez traição, perfídia.
E é claro, se o gerenciamento de Luiz Inácio tivesse qualquer objetivo, minimamente que fosse, de passar a limpo os crimes do regime militar fascista, mesmo com toda sua ação comprometedora até então, não iria propor isso no bojo de um "Plano de Direitos Humanos" cheio de questões polêmicas e controversas.
É hora de se levantar um grande movimento popular pela abertura dos arquivos que ainda restam do gerenciamento militar fascista, pela busca dos restos mortais dos desaparecidos políticos, pela identificação dos torturadores e seus crimes e consequente punição exemplar. De qualquer forma, creiam, chegará o dia que todo o povo, não só os familiares dos mortos e desaparecidos, se vingará de seus algozes. Que eles temam a justa ira das massas!
Fonte: Editorial http://www.anovademocracia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2687&Itemid=105
domingo, 7 de fevereiro de 2010
CADEIA PARA OS TORTURADOES E CRIMINOSOS DO REGIME MILITAR
POR UMA NOVA ONDA, NA PERSPECTIVA DA DEMOCRACIA RADICAL
Trata-se, na verdade, de criar um imaginário socioambiental como base de sociedades sustentáveis, justas social e ambientalmente, participativas e solidárias.A elaboração conceitual, teórica e política, que junte as demandas de justiça social e justiça ambiental de uma perspectiva de democracia radical, exige uma grande capacidade criativa e esforço de diálogo e articulação entre movimentos, organizações, lutas muito diversas.Cândido Grzybowski(*)
O momento histórico que vivemos exige muita criatividade e ousadia. A grande crise, que ainda sacode o mundo, provocou desmanches de todo tipo, particularmente no que pareciam ser as fortalezas da globalização capitalista neoliberal. Defrontamo-nos, no Sul e no Norte, no Leste e no Oeste, com a insegurança, a incerteza e a falta de idéias-força nas quais se agarrar.
Isto vale também para nós aqui no Brasil, pois ninguém mais pode se isolar neste mundo totalmente interdependente. Aliás, cresceu muito nossa presença e, portanto, a densidade das relações que temos com outros povos do Planeta e nossa responsabilidade quanto aos destinos do mundo.
As forças e interesses dominantes do capitalismo globalizado se rearrumam. Apesar do maior protagonismos dos governos e do resgate das políticas de regulação, com monumental transferência de recursos públicos para setores em crise, especialmente bancos, tudo parece caminhar para ajustes e não reais mudanças, recompondo a (des)ordem e sua ameaças à humanidade e o Planeta. A própria geopolítica mundial se reorganiza, com o fim da dominância unipolar dos EUA e a emergência a primeiro plano da China, como outro polo. Um pouco mais de multilateralismo, com o G8 virando G20, mas com a usurpação do real poder pelos que contam.
Vale registrar o papel complementar a esta nova bipolaridade do mundo, claramente revelada nas negociações sobre clima em Copenhagen, dos BASIC – Brasil, África do Sul, Índia e China, deixando a velha Europa ainda mais confusa.
No meu modo de ver, isto não é esboço de mudança profunda, mas antes um ajuste do sistema capitalista mundial aos novos desafios.Mas cresce a percepção da necessidade de mudanças, de que outro mundo não só é possível, mas se faz necessário. A grande frustração com o que aconteceu em Copenhagen é um alerta. Pouco dá para esperar do que está em curso, promovido pelos governantes.
Faz-se necessário um movimento irresistível que brote do interior das sociedade civis, de caráter intelectual e político, organizativo e político, capaz de gestar e alimentar uma nova visão e uma nova cultura cidadã sobre o mundo que é necessário construir em substituição a esta civilização em crise. Movimento que, como uma onda, se propague por todo o Planeta. Movimento que resgate o melhor da enorme herança das lutas por justiça social e democracia substantiva e das lutas em defesa do meio ambiente, fundindo-as num novo imaginário. Movimento que, como uma onda, se propague por todo o Planeta, se torne um referente para diferentes povos e sujeitos coletivos. Movimento que proponha e torne incontornável uma nova agenda na arena política mundial.
A crise de civilização industrial, produtivista e consumista, criada pelo capitalismo, com as dominações, exclusões e desigualdades que forja, e com a enorme ruptura com a base natural da vida e a destruição ambiental que provoca, põe um enorme desafio para todos e todas que lutam por democracia e justiça social. Estamos num impasse.
Para avançar na radicalização da democracia, implantando bases de democracia econômica e social, faz-se necessário revisar profundamente nossas idéias de desenvolvimento. Não dá mais para condicionar a justiça social ao crescimento do mesmo que cria injustiça e destruição. Não se trata apenas de democratizar esta civilização industrial, mas antes de mudá-la para parâmetros de biocivilização, incorporando na perspectiva de radicalização da democracia a necessidade de uma outra relação com a natureza e os bens comuns.
Trata-se, na verdade, de criar um imaginário socioambiental como base de sociedades sustentáveis, justas social e ambientalmente, participativas e solidárias.A elaboração conceitual, teórica e política, que junte as demandas de justiça social e justiça ambiental de uma perspectiva de democracia radical, exige uma grande capacidade criativa e esforço de diálogo e articulação entre movimentos, organizações, lutas muito diversas. Trata-se de radicalizar a alteralidade, o reconhecimento e a valorização de sujeitos e identidades diversas, na construção de uma bloco de forças políticoculturais renovador e capaz de disputar hegemonia na sociedade.
O risco deste momento que vivemos é o meio ambiente ser isolado e ser elegido como a grande agenda, tratado como nova frente de expansão de negócios, independentemente da própria crítica do desenvolvimento e dissociado das grandes questões da justiça social, direitos humanos e democracia. Mas temos a oportunidade de transformar isto tudo partindo de uma perspectiva de radicalização da democracia e pondo na agenda um socioambientalismo que nos leve à democracia econômica, social e ambiental.
Esta é uma agenda propositiva, que pode ser levada se formos capazes de gerar uma nova onda de democratização puxada pela cidadania, como fizemos no passado recente.
(*) Cândido Grzybowski, sociólogo, é diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e articulista da Carta Maior.
Fonte: Agência Carta Maior.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
PROCULTURA - NOVA LEI DE INCENTIVO À CULTURA
O Ministério da Cultura entregou ao Congresso Nacional projeto de lei que institui o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura - Procultura, que substituirá a atual Lei de Incentivo à Cultura, mais conhecida como Lei Rouanet.
O Procultura é mais abrangente e dinâmico que a lei anterior, e tem como principais objetivos ampliar os recursos para a cultura e diversificar os mecanismos de financiamento.
Para os segmentos responsáveis pela diversidade cultural (culturas populares, cultura afro-brasileira, povos e comunidades tradicionais, grupos etários, movimentos sociais como o LGBT e a Luta Antimanicomial, pessoas com deficiência, etc.), o Procultura representa um grande avanço, pois, ao reforçar o papel do Fundo Nacional de Cultura, tornando-o o principal mecanismo de financiamento, cria nove fundos setoriais, um dos quais específico para o segmento, denominado Fundo do Acesso e Diversidade.
Desta forma, o país cumpre com as determinações da Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, ao incorporar, no âmbito de suas políticas públicas, mecanismos de defesa e de fomento à diversidade cultural.
Outros avanços do projeto são o estabelecimento de critérios objetivos e transparentes para a avaliação das iniciativas culturais que buscam se viabilizar, o aprofundamento da parceria entre o Estado e a sociedade civil para uma melhor destinação dos recursos públicos e o estímulo à cooperação federativa, com a possibilidade de repasses do Fundo Nacional de Cultura para os fundos estaduais e municipais.
A maioria dos avanços propostos é fruto das discussões oriundas da 1ª Conferência Nacional de Cultura, realizada em 2005, além dos inúmeros seminários realizados pelo Brasil para discutir o assunto. Agora, para garantir essas conquistas, caberá a todos os interessados atuar junto aos Congressistas - Deputados e Senadores - para que aprovem a nova lei.
Veja aqui o texto da nova lei, na íntegra, com grifos indicando os trechos relativos à proteção e promoção da diversidade cultural.
Fonte: MinC/SID
SOJA DA AMAZÔNIA PARA ALIMENTAR FRANGOS E SUÍNOS NA RÚSSIA
Agência Estado: O primeiro carregamento brasileiro de soja importado pela Rússia saiu na semana passada do Porto de Itacoatiara, no Amazonas, a 211 km de Manaus, rumo a São Petersburgo. O navio MV Olimpic Melody transporta 24.425 toneladas do grão.
O secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, declarou que as barreiras técnicas impostas pelo governo russo à importação do produto nacional foram resolvidas no último encontro com as autoridades daquele país, realizado em Berlim, capital da Alemanha, em janeiro.
- Os russos têm investido na produção de frango e suíno e precisam de insumos. Como o Brasil é um grande fornecedor, essa exportação tem tudo para se consolidar e crescer, explicou Kroetz.
O primeiro navio, transportando 24,4 mil toneladas de soja, saiu do porto de Itacoatiara, no Amazonas, rumo a São Petersburgo, na Rússia. Além desse, outro navio já está sendo carregado no mesmo porto.
O último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) indica que o país deve produzir na safra 65 milhões de toneladas de soja, cerca de 8 milhões a mais que na safra 2008/2009. Do total produzido, aproximadamente 26 milhões de toneladas serão embarcadas para outros países.
Itacoatiara e Santos se destacam na Exportação da SOJA
O movimento de soja mato-grossense nos portos de exportação teve incremento de 23,69%em 2009, na comparação com o ano anterior. De acordo com levantamento divulgado em janeiro pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (APROSOJA), a saída de soja, via portos, no ano passado, atingiu 10,647 milhões de toneladas, contra 8,608 milhões em 2008.
O porto de Santos (SP), mais uma vez, respondeu pela maior concentração de cargas, com aumento de 46,97% no volume de exportações em 2009 (6,154 milhões de toneladas), ante as 4,187 milhões de toneladas do ano anterior. No ano passado, Santos foi responsável por 57,80% de toda a movimentação de soja de Mato Grosso nos portos exportadores.
O destaque do ano passado ficou com Paranaguá (PR) – apenas quarto colocado no ranking dos portos com maior volume de cargas transportadas – mas com o maior índice de crescimento. De 2008 para 2009, as cargas pelo porto aumentaram 72,73%, saltando de 548,897 mil toneladas para 948,144 mil toneladas.
Com 1,406 milhão de toneladas transportadas, o porto de Itacoatiara (AM), manteve a segunda posição no ranking, registrando crescimento de 8,40% em relação às 1,297 milhão de toneladas exportadas no ano anterior.
Outro porto que teve destaque em 2009 foi o de Vitória, no Espírito Santo. Mesmo com queda de 4,48%, o porto manteve o terceiro lugar entre os que mais receberam soja de Mato Grosso para exportação marítima. Dados da Aprosoja/MT apontam um montante de 983,938 mil toneladas, contra 1,030 milhão de toneladas em 2008.
O porto de Santarém, no Pará, aparece em quinto lugar, com 646,930 mil toneladas em 2009, recuo de 23,19% em relação às 842,195 mil toneladas transportadas no ano anterior.
Em seguida aparecem os portos de São Francisco (400,719 mil toneladas transportadas em 2009), São Luiz (95,181 mil toneladas) e, Cáceres, 11,948 mil toneladas.
Mas, o responsável pela exportação de quase toda a soja produzida pelo grupo André Maggi, em Mato Grosso, é o porto de Itacoatira, no Amazonas, que manteve seu bom desempenho em 2009, respondendo por 13,20% de todo o volume de cargas exportadas. Itacoatiara só perde para Santos (SP), que mantém a tradição de maior porto exportador da soja mato-grossense e maior em volume de cargas de todo o Brasil.
A soja exportada via porto de Itacoatiara está concentrada basicamente nas regiões oeste e noroeste do Estado, como Sapezal, Campos de Júlio, Campo Novo e Comodoro. A produção percorre cerca de 900 quilômetros por caminhão até Porto Velho (RO), de lá seguindo pela hidrovia do rio Madeira até Itacoatira (AM) ou Santarém, no Pará, e a partir daí avançando pelo rio Amazonas ao Atlântico com destino aos portos europeus.
“Com esta rota temos uma drástica redução nos preços do frete”, aponta o diretor administrativo da Aprosoja, Carlos Fávaro. Segundo ele, o ganho está na intermodalidade de transporte e na redução da distância até aos portos do Atlântico, já que para chegar a Santos as carretas percorrem 2,5 mil quilômetros, tomando-se por referência a região de Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá).
Para os analistas de mercado, a saída por Itacoatiara e Santarém possui vantagens comparativas em relação aos portos de Santos e Paranaguá. “Temos um custo logístico melhor, além de outras vantagens como o desembaraço alfandegário e a agilidade no embarque da soja”.
Fonte: Diário de Cuiabá
PARTICIPE DA MOSTRA DE TECNOLOGIA SUSTENTÁVEL 2010
Prorrogadas as inscrições da Mostra de Tecnologias Sustentáveis 2010. O prazo vai até 12 de fevereiro próximo. Inscrições gratuitas somente pelo site. Evento já se tornou referência no país em idéias inovadoras em prol da sociedade, do meio ambiente e da economia sustentáveis.quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
EIA/RIMA DO PORTO DAS LAJES SOB INSPEÇÃO DA JUSTIÇA DO AMAZONAS
O jornal de maior circulação do Amazonas, a Crítica, publicou hoje (04) matéria referente à Inspeção na Área do Porto das Lajes , que deverá ser feita pela Vara do Meio Ambiente e Questões Agrárias (VEMAQA) com data marcada para o dia 09 (terça-feira). Trata-se de uma Inspeção Judicial na área do magnífico Encontro das Águas, onde a empresa Lajes Logística - controlada pela Log-In/Vale Mineradora - pretende construir o Porto das Lajes, objeto de protesto desde 2008 entre grupos favoráveis e contrários à obra. A informação foi confirmada ontem (03) pelo gabinete do titular da VEMAQA, juiz Adalberto Carim, que se encontra em férias, mas retornará ao trabalho no dia 08 (segunda). Nesse dia de Inspeção Judicial, o Ministério Público do Amazonas estará representado pelo promotor de justiça Mauro Veras, que confirmou sua presença no ato. Por sua vez, as lideranças comunitárias da Colônia Antonio Aleixo bem que gostaria de ser ouvida.
O projeto de construção do Porto das Lajes foi anunciado em setembro de 2008, contando com um orçamento de 220 milhões de reais. Inicialmente, os executivos do colarinho verde, como qualificou o escritor Márcio Souza, os empreendedores do projeto, afirmavam de forma arrogante que a obra deveria iniciar em junho do ano passado, mas pela força do movimento social S.O.S. Encontro das Águas, com a participação efetiva dos moradores do Lago do Aleixo e do Careiro da Várzea, o projeto foi parar na Justiça e agora está sendo objeto de Inspeção pela Vara do Meio Ambiente e Questões Agrárias.
Para o antropólogo Ademir Ramos, coordenador do NCPAM/UFAM e membro do Movimento S.O.S. Encontro das Águas, o movimento encontra-se fortalecido, principalmente, agora que a ONU proclamou o ano de 2010 como "Ano da Biodiversidade", o que favorece muito mais ainda trabalharmos para sensibilizar os corações e mentes em defesa do nosso patrimônio natural, que é o Encontro das Águas, barrando de uma vez a vontade dos predadores de construir nessas imediações um Terminal Portuário.
O antropólogo criticou a demora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) de dar algum encaminhamento ao processo que reclama o tombamento do Encontro das Águas como patrimônio Natural e Cutural do Brasil. "Quanto mais se retarda a decisão a respeito, mais se favorece aos interesses da Lajes Logística", disse. O Movimento S.O.S. acredita que, com o tombamento, as obras do Porto das Lajes deve ser inviabilizadas.
O superintendente do IPHAN, Juliano Valente, disse que a análise técnica que vai definir a área do Encontro das Águas que pode ser considerada patrimônio cultural termina no final deste mês. O passo seguinte é a instrução de um novo processo de pedido de tombamento. Não há previsão de quando o processo será finalizado.
O fato é que o superintendente do IPHAN tem fugido dos comunitários mais do que o diabo da cruz. Pois tem marcado reunião na Colônia Antonio Aleixo, zona leste de Manaus, para explicar aos comunitários os procedimentos adotados, mas sempre em cima da hora diz que foi atropelado pela agenda ou quando não inventa viaje para Brasília e foge do encontro.
Ministério Público reclama Providência
Manifestação do Ministério Público do Estado do Amazonas, por meio da
49a Promotoria Especializada na Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (PRODEMAPH), fundamentada em estudos do Centro de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Amazonas reclama providencias imediatas referentes ao Relatório Conclusivo da apresentação do EIA/RIMA do empreendimento Porto das Lajes. As providências deverão ser respondidas com clareza e objetividade e inseridas na complementação do EIA/RIMA, matéria esta, que se encontra sob inspeção judicial na Vara do Meio Ambiente e Questões Agrárias (VEMAQA)sob a direção do Magistrado Adalberto Carim.
As providências reclamadas em termos de Ofício (213/08) 49a PRODEMAPH, são elas:
1 – A designação de audiência pública para discutir o EIA/RIMA do PORTO DAS LAJES com a comunidade do município do Careiro da Várzea, que se encontra na área de influencia direta do empreendimento;
2 – A complementação do EIA/RIMA com:
a) projeto alternativo, conforme estabelecido no art. 5°, da Resolução 001/86 do CONAMA;
b) descrição pormenorizada das áreas de preservação permanente contidas na área do empreendimento;
c) ART junto ao conselho competente do responsável pelo levantamento da cobertura vegetal da área onde se pretende construir o empreendimento;
d) o levantamento exaustivo e suficiente das espécies da fauna existente no local;
e) estudo conclusivo com o devido esclarecimento sobre o local ser ou não habitat do Sauim de Manaus (saguinis bicolor);
f) estudo conclusivo com o devido esclarecimento sobre o local ser ou não habitat do peixe-boi e do morcego-pescador;
g) estudo com listagem completa de todas as espécies de aves existentes no local, inclusive as espécies migratórias, identificando os impactos que o empreendimento pode causar ao ciclo
de vida de tais animais;
h) esclarecer a importância do Lago do Aleixo para o ciclo de vida/reprodutivo das espécies da fauna aquática (peixe e botos) que o habitam ou usam o local, informando quais impactos o empreendimento pode causar ao ecossistema local;
i) esclarecer se a construção do porto próximo
à entrada do Lago do Aleixo pode contribuir para o assoreamento do lago;
j) estudo arqueológico aprofundado, concluindo se na área existe ou não sítios arqueológicos;
l) a apresentação de programas para controle de riscos e acidentes, com detalhamento acerca dos possíveis acidentes que o empreendimento pode gerar, medidas adotadas em caso de acidente que requeira o deslocamento dos habitantes das proximidades do empreendimento, bem como esclareça se será construída Estação de Tratamento de Efluentes no empreendimento;
m) a execução de estudo de Impacto de Vizinhança – EIV, medida legalmente exigida para o licenciamento do empreendimento, conforme o artigo 36 da Lei 10.257/01;
n) estudo técnico, considerando os impactos cumulativos dos diversos empreendimentos construídos ou projetados para o local (Parque Encontro das Águas, Estação de captação de água, Alumazon, e o Porto das Lajes), considerando, inclusive, o impacto à paisagem cênica do Encontro das Águas;
o) estudo técnico sobre o sistema viário que dará acesso ao empreendimento (estudo do fluxo do tráfego atual, calculo de distâncias, estudos de projetos de acessibilidade, calculo estimativo da demanda futura, estudo e projeto para a adequação da malha viária existente para receber o tráfego de veículos pesados, estudo de acessibilidade de tráfego, calculo de demanda futura de viagens geradas pelo empreendimento, etc);
p) programa detalhado, com cronograma, das fases de execução da obra, com a descrição das medidas mitigadoras dos impactos ao meio ambiente e à vizinhança durante o período de execução; manifestação das concessionárias de serviços públicos e órgãos públicos sobre a viabilidade técnica do empreendimento;
r) comprovação da propriedade do imóvel onde se pretende construir o empreendimento, com certidão da cadeia dominial expedida pelo cartório de registro de imóveis competente;
s) estudo técnico detalhado com relação à destinação da água de lastro dos navios que utilizarão do porto;
t) estudo temporal quanto aos impactos ambientais causados na área do empreendimento (02, 05 e 10 anos);
u) revisão das medidas mitigadores dos impactos ambientais.
Sendo o que tenho a apresentar para o momento, reitero protestos da mais elevada estima a consideração.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Greenpeace: É Lula e não a Lei que define o licenciamento ambiental no Brasil
É Lula, e não a lei, quem agora define seus prazos. Qualquer resistência é recebida pelo presidente e seus ministros com uma ironia burra acerca da complexidade do trabalho dos técnicos. O argumento central é que a conservação da natureza atravanca o desenvolvimento. As 40 condicionantes impostas pelo Ibama para mitigar os efeitos ambientais da obra apenas aliviam os imensos impactos sociais e ambientais do empreendimento. E seriam dispensáveis se o governo recobrasse os sentidos e percebesse que Belo Monte é uma obra desnecessária.Itaipu afogou o Parque Nacional de Sete Quedas na década de 1970. Quarenta anos depois, Belo Monte vai provocar um desmatamento de 50 mil hectares em zona de mata, ainda razoavelmente conservada, em pleno coração da Amazônia.O processo de liberação da obra mostra também como o licenciamento ambiental no Brasil andou para trás. Danem-se as necessidades técnicas e científicas do pessoal do IBAMA que analisa os impactos de grandes obras no Brasil. Os recentes governos brasileiros fizeram muito para desacreditar o trabalho que envolve o licenciamento de grandes obras. Lula levou esse comportamento ao extremo e o transformou em refém dos seus desejos.
“Belo Monte também é símbolo de uma visão de desenvolvimento defasada”, prossegue Furtado. “Ela não agrega novas tecnologias, não embica o país para o futuro. É uma obra de cimento e aço, típica do século que passou. Além de antiga, Belo Monte, ela vai operar com um alto nível de ineficiência.” Longe dos principais mercados consumidores do país, a energia gerada em Belo Monte terá de ser enviada às regiões Sul e Sudeste do Brasil, produzindo enormes perdas.
Um estudo do Greenpeace realizado em 2007 com a assistência do Grupo de Energia da Universidade Politécnica da USP (GEPEA - USP) mostra que é possível atender à demanda de energia do país até 2050 com investimentos em geração que passem ao largo de tecnologias de grande impacto ambiental, como grandes hidrelétricas, usinas nucleares e termelétricas movidas a carvão ou óleo diesel. A ausência desses dinossauros energéticos seria suprida com a utilização de fontes de geração de energia renováveis modernas como eólica, biomassa e solar.
O cenário desse estudo aponta para uma produção de energia em 2050 em que a geração hidrelétrica responderia por 38% das necessidades do país. O restante viria de biomassa em suas diferentes formas de cogeração (cascas e bagaço, óleos vegetais e biogás), com 26% da geração total. A energia eólica entraria com 20% da geração e os painéis fotovoltaicos contribuiriam com 4%.A matriz seria complementada com 12% de geração termelétrica a gás natural – que apesar de mais poluente do que qualquer geração renovável, ainda representa uma redução de emissão em relação às termelétricas a carvão e óleo combustível, completamente eliminadas da matriz nesse estudo do Greenpeace, juntamente com os reatores nucleares.
Além de claros benefícios ambientais, o estudo conclui uma matriz com esse perfil, mais moderno e menos dependente de apenas um tipo de geração de energia, também traria benefícios econômicos para o país, uma vez que seu custo completo, de R$ 537 bilhões, é R$ 117 bilhões aos cálculos do custo da matriz de referência usada pelo governo em seu Plano Nacional de Energia (PNE) para 2030.
No lugar de uma Belo Monte na Amazônia, o Brasil deveria por exemplo investir na criação de uma Belo Monte de vento no Nordeste, que gerasse empregos mais condizentes com o século 21 e desenvolvimento industrial de baixo carbono e alta qualidade.“A usina de Belo Monte é uma prova, sobretudo, de como o Brasil enxerga o futuro pelo espelho retrovisor”, diz Furtado. “Ao invés de pensar a Amazônia como uma região para a expansão de mega usinas hidrelétricas, o governo deveria planejar o seu desenvolvimento de olho na floresta como um ativo de interesse mundial, que tem influência fundamental para o futuro da regulação do clima no planeta e que presta óbvios serviços ambientais à agricultura nacional.”
(Envolverde/Greenpeace)
http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=69087&edt=1
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Indigenous Peoples: Their Survival is Our Survival

C. Joy Sheng*
Discrimination?
We are systemically excluded from means of gaining political and economic power.
Poverty?
We are chronically over-represented among the poor in health and in education.
Genocide?
We are ruthlessly annihilated by predators entirely foreign to us:
drugs, alcohol, domestic violence, sexual abuse, and suicide.
We have been raped, robbed, and murdered in the name of economic development.
We are veteran refugees, persecuted even as we pursue voluntary isolation.
We are the indigenous peoples of the world.
• • •
Earlier this month, the United Nations (UN) released its very first report on the State of the World’s Indigenous Peoples. And the state of indigenous peoples the world over is grim indeed. Sobering statistics from UNESCO cite that up to ninety (90) percent of the 7,000 languages currently spoken are likely to become extinct or threatened by the end of the century; of these 7,000 languages, more than 4,000 belong to indigenous peoples. Among peoples where oral traditions are vital to maintaining traditional knowledge, lingual extinction amounts to cultural extinction.
Roles of Traditional Knowledge (TK)
The intrinsic value of cultural diversity aside, TK is becoming increasingly recognized for its role in harnessing biodiversity and spurring innovation.[1] Eighty (80) percent of current medical compounds are used for identical or nearly identical ethnomedical purposes as the medical plants from which they were derived (Fabricant & Farnsworth, 2001). Richard Evans Schultes, widely regarded as the father of ethnobotany, foretold this marvel more than twenty years ago:
“The accomplishments of aboriginal people in learning plant properties must be a result of a long and intimate association with, and utter dependence on, their ambient vegetationl This native knowledge warrants careful and critical attention on the part of modern scientific efforts. […] If phytochemists must randomly investigate the constituents of biological effects of 80,000 species of Amazon plants, the task may never be finished. Concentrating first on those species that people have lived and experimented with for millennia offers a short-cut to the discovery of new medically or industrially useful compounds” (Schultes, 1988).
In fact, the International Union for Conservation of Nature approximates the value of biologically diverse resources from countries in the Southern Hemisphere used to supply demands of Northern pharmaceutical companies at US $32 billion per annum (IUCN, 2002). The TK of indigenous peoples is an indisputably essential catalyst for innovation.
TK also acts as symbiotic guardian of the world’s most biologically diverse resources. The singular relationship between preservation of biodiversity and stimulation of development is acknowledged by the UN in its designation of 2010 as the Year of Biodiversity. In its Declaration on the Rights of Indigenous Peoples, the UN affirms that “respect for indigenous knowledge, cultures, and traditional practices contributes to sustainable and equitable development and proper management of the environment.” This is not only due to the fact that indigenous peoples are custodians of a vast store of environmental knowledge. Indigenous peoples also serve as barometers of global climate change as they make measurable changes to their lifestyles according to measurable changes in their environments (Arctic Climate Impact Assessment, 2005).
A third manifestation of the link between TK and biodiversity lies in the human rights sector. The global community cannot claim progress toward achieving worldwide health and education equity without examining indigenous populations. Without equity in health and education, indigenous peoples are subjugated to a vicious cycle:
In attempting to break the cycle diagrammed above, international legal mechanisms have largely focused on methods of combating and preventing biopiracy, the misappropriation of indigenous resources—knowledge, genetic samples, even likenesses—without free and prior informed consent (FPIC) and/or just compensation.
The intellectual property (IP) approach is the dominant mechanism for establishing ownership rights over knowledge and cultural expressions. To be effective, it must not only balance the interests of indigenous peoples involved with bioprospectors; it must mediate between (a) the sovereign rights of nationals to regulate access to genetic resources and (b) the IP rights of indigenous communities (Iwu, 1996). An example of this binary is one of the chief international legal instruments concerning indigenous IP, the Convention on Biological Diversity (CBD). Recognizing the “close and traditional dependence of individual and local communities” on biodiversity, the CBD nevertheless squarely places ownership of genetic resources with national governments—despite the fact that knowledge of use of biogenetic resources belongs to individuals and communities.
The IP regime is the default model for protection of TK because insufficient protections of creations make for lessened incentives to disseminate said creations and, therefore, fewer opportunities for the public to benefit from them. Thus is the nature of the IP system: it privatizes common property, including TK and other manifestations of cultural heritage. This, critics argue, is precisely why the IP model is ill-suited for indigenous peoples. More stringent protections lead to higher costs of development of goods (e.g. pharmaceutical drugs), thereby withholding benefits from the very countries who need them most: the poor and the remote (World Bank, 2000/2001).
More to the point, it is argued that the Western origins of the IP regime make it inherently incompatible with the indigenous question. IP mechanisms protect individuals for a limited duration, and only after proven novelty, industrial applicability, and capacity for reproduction of results. They are also expensive—often prohibitively so (ASEAN Workshop, 2001). In contrast, TK consists of intangible cultural products and expressions which are held collectively, acquired informally, and transmitted generationally. (Even if a product of TK were to possess an element of novelty, the level of product disclosure required for nearly all IP mechanisms would eliminate said novelty and therefore eliminate its patentability [World Intellectual Property Organization, 2005].)
As a result, many in the indigenous rights movement have advocated a human rights (HR) approach. HR instruments are not legally binding without state ratification, and they therefore lack penalization mechanisms against states who shirk their obligations to said instruments.
Nonetheless, internationally recognized HR are being increasingly treated as international law.The UN Committee on Economic, Social and Cultural Rights has issued a statement on human rights and intellectual property, declaring that “international trade and intellectual property protection regulations must respect and abide by international human rights law” (UNESCR, 2001).
The HR approach is problematic in that it, too, is not entirely appropriate for the indigenous movement. Modern HR paradigms are grounded in 18th century liberal individualism, where every person possesses “natural rights” which are due to the “inherent dignity of the individual” as separate from a society, especially the state (Howard & Donelly, 1986). This theoretical perspective anticipates conflict between the individual and his or her community and reacts accordingly, fearing above all that communal rights will override rights of single members or of outsiders. Consequently, the individualism embedded within the HR approach renders it somewhat unsuitable for group-oriented non-Western societies.
There is a third way. The “Traditional Resource Rights” approach attempts to conceptualize IP as a universal HR, rather than as an economic means to achieve well-being. Hence, the TRR approach has the potential to both insert the indigenous HR movement more firmly into IP law and to widen the scope of international HR instruments to include IP mechanisms.
Conclusion
Whether by way of intellectual property mechanisms or human rights instruments, it is imperative that the international community identifies, implements, and enforces legal systems to safeguard the traditional knowledge of the world’s indigenous peoples.
This is because traditional knowledge cultivates and is cultivated by biological and cultural diversity. Thus, by preserving the environment and heritage of indigenous peoples, the global community can take advantage of innovative opportunities for responsible development.
Ours is a planet besieged by famine, war, inequity, disease, and—in the wake of Haiti’s great grief—epic disasters. We must prioritize the survival of Earth’s indigenous peoples, for our futures are inextricable intertwined. In the end, ensuring their survival will mean ensuring the survival of our world.
[1] Indigenous experts are wary to define TK for fear of diminishing the breadth of the term’s legal applicability; however, the Convention on Biological Diversity (CBD) defines TK as “that body of knowledge built up through generations by a group of people living in close proximity to nature and manifested by practices in which tradition filters human innovation.”
*C. Joy Sheng is a guest contributing editor. She is an international liason for UFAM, specializing in indigenous rights advocacy. For factual corrections or copyright inquiries, please email ncpamz@gmail.com with the pertinent blog entry title in the subject line.
Para o Novo Presidente da OAB devemos repudiar pelo voto quem não têm vergonha na cara
O novo presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, assumiu na segunda-feira (01) a entidade, afirmando que o combate sem tréguas à corrupção será uma das principais bandeiras de sua gestão, no triênio 2010/2013. "O Brasil institucional, indispensável à democracia, carece de decência, pois não são os índices do PIB que expressam o avanço de um país, mas a conduta moral de seus dirigentes", sustentou Ophir, em discurso na solenidade de posse. "Estamos nestas circunstâncias: ou nos reencontramos com a decência ou naufragaremos, pois nenhum país avança, nenhum país ingressa no Primeiro Mundo com as mãos sujas!".Anunciando que em sua gestão não descansará "no combate intransigente à corrupção e à impunidade", Ophir Cavalcante convocou para o engajamento nessa luta não só os 700 mil advogados inscritos na OAB, mas todos os brasileiros honrados. "Precisamos por fim à impunidade e isso não pode ser apenas uma frase de efeito; precisamos dar conteúdo jurídico à indignação cívica do povo brasileiro, promovendo uma faxina moral nas instituições - elas são a instância civilizatória de uma sociedade; quando perdem a autoridade, põem em risco as conquistas históricas que fazem de um povo uma nação".
O novo presidente nacional da OAB disse que uma das suas missões à frente da entidade será contribuir para retirar o Brasil da 75ª posição do ranking das nações mais corruptas do planeta, conforme levantamento da ONG Transparência Internacional. Depois de destacar os avanços da democracia brasileira desde 1985 - com o fim de 21 asnos do regime militar - e a importância da alternância de poder, ele observou que o País precisa hoje "aprimorar as instituições, dotá-las de mecanismos que as tornem transparentes e decentes".
Ophir Cavalcante afirmou que a OAB defende uma "revolução moral e ética" em favor da imensa maioria da população brasileira. "A maioria (da população) é formada de pessoas de bem, que trabalham dia e noite, que recolhem com grande dificuldade pelo menos quatro meses de salários por ano em impostos para permitir que o Estado promova o bem comum; mas ele não promove", salientou. Nesse sentido, disse que a entidade lutará contra práticas políticas como o loteamento do Estado e o uso de cargos públicos para arrecadar dinheiro e financiar campanha. Para isso, defenderá não só uma profunda reforma do atual sistema político, mas também a correção de diversas mazelas do setor público como a distribuição de cargos. Ele condenou, por exemplo, o fato de existir ainda hoje no Brasil cerca de 25 mil cargos públicos de livre nomeação, "quando nos Estados Unidos não chegam a cinco mil e, na Inglaterra, mal passam de uma centena".Em seu discurso, o presidente nacional da OAB exortou a sociedade brasileira a repudiar com veemência e não deixar impunes casos como o chamado Mensalão do DEM, escândalo envolvendo o governo do Distrito Federal. "Dinheiro em meias, em cuecas, em bolsas, oração para agradecer propina recebida - são anomalias inconcebíveis, que demonstram total subversão de valores por parte dos que deveriam dar o exemplo!". Para ele, mais inconcebível ainda é que os infratores continuam em seus cargos, e com a mais deslavada falta de vergonha.
Lembrando que este é um ano eleitoral, Ophir Cavalcante afirmou que "essa virada ética depende de nós: vamos exigir decência; vamos repudiar pelo voto aqueles que não têm vergonha na cara". Segundo ele, os poderes constituídos precisam assumir também suas responsabilidades nesse quadro. "E há várias ações simultâneas a serem implementadas, cujo objetivo único pode ser resumido naquela Constituição que Capistrano de Abreu, há mais de um século, sugeriu para o Brasil: artigo 1º - todo brasileiro deve ter vergonha na cara; artigo 2º - revogam-se as disposições em contrário".
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
A BESTA DOS VEREADORES DE MANAUS
No universo da cultura popular canta-se em alto bom tom, que aquele que tem besta não compra cavalo. De certa forma, o povo tem toda razão! Veja o ocorrido na Câmara Municipal de Manaus (CMM) relativo aos trabalhos de abertura do ano político de 2010. Enquanto o Congresso Nacional começa a trabalhar a partir de amanhã, na próxima terça-feira (2), como faz também a Assembléia Legislativa do Estado, a CMM só volta a trabalhar na próxima semana, na segunda-feira (8), alegando força de Lei.
O artigo 37 da Lei Orgânica do Município determina que a sessão legislativa desenvolve-se de seis de fevereiro a vinte e cinco de junho e de dez de julho a vinte e seis de dezembro de cada Legislatura, mas este ano o período legislativo iniciará no dia 08 de fevereiro por conta do que está previsto no Regimento Interno da Câmara, em seu artigo 113, para o caso em que o dia o6 não corresponda a um dia útil.
- O prefeito, no dia 06 de fevereiro de cada ano, ou se for feriado, sábado ou domingo, no primeiro dia útil posterior, comparecerá à Câmara para expor sobre a situação do Município, apresentando, na ocasião, sua Mensagem e seu Plano de Metas.
Compreende-se, portanto, que há algo de errado no ordenamento jurídico da CMM porque contraria tanto a Constituição Federal como a Constituição do Amazonas. No entanto, por conveniência, a Mesa Diretora da Câmara preferiu ficar com a besta da Lei em vigor do que recorrer a inteligência e força da Constituição Cidadã.
A decisão da Mesa Diretiva da CMM desqualifica a função parlamentar colocando em dúvida o próprio desempenho da atual legislatura, que além de não se respeitar, fragiliza principalmente, o instituto maior do Estado Democrático, que é a representatividade. É hora de se reparar tamanho absurdo em respeito ao povo de ManAus.
Foto: Sérgio Oliveira da CMM.
domingo, 31 de janeiro de 2010
REABERTURA DO CONGRESSO NACIONAL NA TERÇA-FEIRA
A solenidade para a reabertura dos trabalhos do Congresso Nacional está marcada para a próxima terça-feira (2) , às 11 horas, no plenário da Câmara dos Deputados. Na cerimônia, que inaugura a quarta sessão legislativa ordinária da 53ª legislatura, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentará uma mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes, porém, o Hino Nacional será executado pela banda do primeiro regimento de cavalaria de guardas.
Ao mesmo tempo, as bandeiras das duas Casas legislativas serão hasteadas e haverá a salva de gala (21 tiros de canhão) pelo 32º grupo de artilharia de campanha. Na sequência, o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), anunciará a entrega por Dilma da mensagem do poder Executivo.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes,fará a leitura da mensagem do poder Judiciário. Em seguida, o primeiro secretário da Câmara, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), lerá o texto do presidente da República.
A solenidade será encerrada com os pronunciamentos de Sarney e do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP).
Fonte: Fernando Taquari ( Valor): http://www.valoronline.com.br/?online/politica/6/6078733/congresso-inicia-os-trabalhos-na-proxima-tercafeira#ixzz0eIojKtIf
PARA OAB O PARECER DA PGR LEGALIZA A TORTURA
O Presidente Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, declarou que a Procuradoria Geral da República (PGR) cometeu "um equívoco" ao dar parecer contrário à revisão da Lei da Anistia, de 1979. Para Britto, a tortura cometida durante a ditadura militar não deve ser considerada como crime político, o País estará "legitimando os torturadores de ontem, de hoje e de amanhã".Para a OAB, autora da argüição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), é necessária uma interpretação mais clara da lei. A entidade pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Anistia não seja estendida a agentes públicos acusados de homicídio, desaparecimento forçado, abuso de autoridade, lesões corporais, estupro e atentado violento ao pudor contra opositores ao regime político da época.
"Isso é muito ruim para o Brasil. Temos que compreender que tortura é um crime gravíssimo. O Brasil subscreveu vários tratados internacionais que condenam os crimes de tortura. Se consideramos o crime de tortura um crime político, perdoável, vamos estar legitimando os torturadores de ontem, de hoje e de amanhã. Eles ficarão livres, leves e soltos para cometer esse crime contra a humanidade", disse o presidente nacional da OAB.
Para Britto, o Estado tem o dever de punir todos os torturadores. Não tenho a menor dúvida de que o Ministério Público errou no parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal, quando não considerou a tortura como crime de lesa-humanidade. "Espero que os ministros do STF compreendam o seu dever histórico punindo o torturador de ontem, para que não justifique a tortura de hoje", disse.
Em parecer divulgado no sábado (30), mas enviado ao STF no final da tarde da sexta-feira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que a Lei da Anistia "foi resultado de um longo debate nacional", ressaltando a participação da OAB. Na avaliação dele, desconstituir a anistia seria "romper com o compromisso" feito no contexto histórico do fim da ditadura. Para consolar os familiares dos mortos e torturados a PGR recomendou apenas abertura dos arquivos da ditadura, o que significou mais um golpe contra o Estado de Direito Democrático no Brasil.
Fonte: OAB Nacional.
sábado, 30 de janeiro de 2010
OS PARLAMENTARES BRASILEIROS SÃO OS MAIS CAROS DO MUNDO
Confronto entre os rendimentos, benefícios e assessoramentos recebidos por
parlamentares de Brasil, Chile, México, Estados Unidos, Alemanha, França,
Grã-Bretanha e Itália mostra que brasileiros são os mais caros
Fabiano Angélico (*)
vezes, não passam de cabos eleitorais pagos com dinheiro público.
Fonte: http://www.excelencias.org.br/docs/CustosCongressistas.pdf
MANAUS, THIAGO E MILTON
Tenório Telles (*)
Contemplar a face de Manaus é se confrontar com a interrogação de seus olhos: o que fizeram de mim? Na verdade a brutalidade continua: apesar da riqueza gerada, a cidade tem ares de decadência: feia, suja e fedorenta.
A indiferença é um dos piores pecados que alguém pode cometer na vida. Esse é talvez o maior pecado dos habitantes de Manaus. Ao andar pelas ruas da cidade me pergunto como fomos capazes de permitir o vandalismo contra a arquitetura, os igarapés, o porto flutuante e demais espaços de Manaus. O poeta Thiago de Mello, num belo texto escrito para celebrar o livro Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum, repisa essa tragédia histórica. Seu poema, Enleiando, é na verdade uma elegia para uma cidade agredida: pendor de alma penada/ da Manaus que se desfez. Se a perdemos para a ambição e crueldade dos homens, podemos tê-la, ainda que brutalizada, nos versos mágicos de Thiago:
Contente de antigo enleio/ meigo e longo como o seio da linha de um banda-de-asa/ releio mais do que leio o Relato (âmago de esteio da casa onde se aconchegam lucidez e devaneio) que/ linguagem sem rodeio, me diz, de maneiro meio, porque Milton ao mundo veio:
para cumprir
(ai de sina ninguém escapa, até mesmo contra o dever)
sua dura
e doce destinação, bem servida
pelo dom e o labor da contação;
é quando a palavra ganha poder de sonho e de ação/ sua leitura desvela o que a pessoa nem sabe que se esconde dentro dela.
Só assim é que Milton pode contar com delicadeza o que ninguém reparou, o que todo mundo olhou mais deixou de ver, e conta com distinção e louvor, sortilégios da invenção, para me dar os segredos, as flores e os dissabores, os escândalos de amores da Manaus que me fez ser.
Das sete vezes que li do começo ao fim
(cada uma assinalada assim////-// no alto da sua página de guarda) do Relato guardo a prenda lilás da flor de um jambeiro, a descoberta da fala, um cabo de narguilê, paina azul de sumaumeira, o calor da caridade, um cenário colorido, cambiante caleidoscópio, vinte oito casas lunares onde habitam o alfabeto e o homem na plenitude, a forma dos caracóis, das goivas e cimitarras, a pérola protegendo os segredos de um decote, o triunfo da transparência, o instante em que Deus criou as orquídeas, algazarra de alimárias, pecos alvos, a vida urdida no Líbano empilhada sobre a sombra do pêndulo do relógio.
Ler é saber: a floresta e a cidade/ duas mentiras separadas pelo rio/ o desespero é um erro/ o paraíso se encontra no dorso dos alazões, nas páginas de algum livro/ te espera por entre os seios de uma mulher.
Quanto encanto, a mão molhada da moça, um monte de figos secos, uma pele furta-cor, cinza encardida, essa coisas...
Mas no furor das golfadas de vento eterno/ no aviso de mil bocas das metáforas, na decisão dos pretéritos mais que perfeitos, na fala dos silêncios/ no rumor noturno por sobre as águas/ no cupim da ostentação num amálgama de enigmas e na perversão urbana,
a contação já revela o pendor de alma penada de Manaus que se desfez.
@Tomo o peso de cada Sílaba e apalpo a música dos fonemas das palavras que escrevi, sem me dar conta
que moldava e modulava a melodia
que tanto e em vão
procurava
desde o sol da minha infância.
Contemplar a face de Manaus é se confrontar com a interrogação de seus olhos: o que fizeram de mim?. Na verdade a brutalidade continua: apesar da riqueza gerada, a cidade tem ares de decadência: feia, suja e fedorenta. E o que restou do seu passado, de sua bela arquitetura – sucumbe ao abandono e os velhos casaões do centro histórico se transformam em prostíbulo e têm sua estrutura alterada ao bel-prazer pelos agenciadores da prostituição.
O que resta é a dor presente nas fachadas e nas paredes destruídas, como expressou o poeta Luiz Bacellar no seu Noturno do bairro dos Tocos: Há tanta angústia antiga em cada prédio!/ Em cada pedra nua e gasta.
@ É amazonense, professor, articulista de A Crítica, escritor e um dos imortais da Academia Amazonense de Letras.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
ACRE E AMAZONAS NO DIA DE COMBATE À HANSENÍASE
O Dia Mundial de Combate à Hanseníase é celebrado no último domingo (31) do mês de janeiro. Antecipando à data, o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas Pela Hanseníase (MORHAN/Acre), preparou um extenso debate sobre o assunto na segunda-feira (25) passada.
O encontro aconteceu em Rio Branco, no auditório do SEBRAE centro, das 9 às 12 horas,contando com a participação das pessoas atingidas pela doença, seus familiares e a sociedade em geral. O movimento conta com a parceria da Central de Articulação das Entidades de Saúde (CADES) e o setor de Dermatologia de Estado do Acre.
O objetivo do debate foi auxiliar na prevenção e tratamento da doença e contra o preconceito. O encontro tem como tema central: “Tempo não é questão de dinheiro é questão de saúde”. A primeira palestra sobre Prevenção e Combate à hanseníase foi ministrada pela fisioterapeuta com especialidade em Insuficiência Respiratória e cardiovascular em UTI, Franciele Gomes.
Em seguida o médico William Jonh Woods fez sua explanação sobre o perfil epidemiológico da hanseníase. O secretário de comunicação do MORHAN, Elenil Silva também falou sobre os avanços na sociedade acreana por meio do referido movimento. Encerrando a programação, o chefe da Sessão de Reconhecimento do Direito do INSS, Gilberto Sales, prestou orientações sobre a implantação da Medida Provisória 373 junto à previdência.
O coordenador do MORHAN em Rio Branco, Elson Dias, lembrou ainda que as pessoas que foram acometidas pela doença e deixaram de buscar tratamento por sentir vergonha, não devem ser esquecidas. Mesmo assim, segundo ele, o diagnóstico deve ser feito o mais rápido possível, já que a hanseníase pode causar incapacidade e deformidades físicas. “A questão estética pode se tornar um problema. O feio está associado ao mau, assim como o belo é bom. Mas a hanseníase não trás só manchas e deformidades, ela pode tornar a pessoa incapaz para o trabalho’, explicou.
Elson Dias faz questão de ressaltar que a hanseníase é uma doença que atinge os nervos e que a deformidades podem ser evitadas quando o diagnóstico é feito no início e o paciente recebe o tratamento imediato. “O objetivo da palestra é fazer com quer as pessoas, ao sentirem os primeiro sintomas da doença, procurem logo os centros de saúde para que os agentes e profissionais consigam identificar no estágio inicial”, orienta.
Outro objetivo das palestras, de acordo com o coordenador, foi levar informação à população para acabar de uma vez por todas com os mitos e preconceitos que ainda envolvem a questão. “Hoje o portador da doença não fica isolado. Ele leva uma vida normal. A doença não é transmitida por abraço, aperto de mão, talheres ou relação sexual. Por isso, não é preciso separar roupas, pratos e talheres, nada disso”, assegura.
Elson Dias frisa que a doença é transmitida por meio das vias respiratórias, ou seja, pela tosse ou espirro. Ele destaca: “A transmissão ocorre se a pessoa não estiver recebendo medicamentos”.
AMAZONAS
No Estado, a representante do MORHAN, Waldenora Cruz mobilizou os atingidos pela doença, que ainda hoje residem na Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste de Manaus, quando pela manhã (29), no Clube de Mães do Bairro, reuniram-se para avaliar a luta e fortalecer sua organização contra o preconceito e o descaso do governo quanto à saúde dessa gente e seu patrimônio cultural. Essa gente grita por respeito e dignidade. Além do descaso oficial, os moradores lutam também conta a empresa Log-In Logística Intermodal controlada pela mineradora Vale, que tudo tem feito para construir um Terminal Portuário nas imediações do Encontro das Águas (Rio Negro com Solimões), ameaçando ainda mais a qualidade de vida dos atingidos pela hanseníase.
Por todo o Brasil o MORHAN está organizando manifestação de apoio aos atingidos pela doença e exigindo dos governantes políticas públicas de qualidade, bem como respeito e dignidade para todos.
Fonte: MORHAN com a colaobração Val Sales do Acre - valsales@pagina20.com.br
EM MANAUS ZECA NAZARÉ FAZ ARTE
Zeca Nazaré, com uma folha corrida nas artes plástica do Amazonas apura seu ofício e expõe seus trabalhos de 28 de Janeiro à 28 de Fevereiro na Saraiva Megastore Manaus, no Shopping Manauara. Para o professor Ademir Ramos "o Zeca é um dos companheiros dos tempos do Porantim, jornal em defesa da causa indígena, isso remete aos anos 70, junto com o nosso saudoso Narciso Lobo. O seu trabalho é genial merece ser admirado e devorado pelos amantes da boa arte".O trabalho exposto é composto por impressões, com intervenção manual e colagem em lona vinílica - visitação:
segunda à sexta-feira no horário de 10 às 21h30;
sábado, domingo e feriado no horário de 13 às 20h30.
Confira a originalidade das obras e conheça a maturidade do artista.
SEMINÁRIO DA INDÚSTRIA CRIATIVA E GESTÃO CULTURAL NO AMAZONAS

O NCPAM junto com alguns empreendedores culturais do Amazonas formulou a proposta do primeiro Seminário da Indústria Criativa conjugado com as práticas de Gestão Cultural, tendo por referência a produção do Pólo Industrial de Manaus (PIM) e o seu valor agregado centrado na Cultura como produção indutora do Desenvolvimento Humano. Para isso, o coordenador do projeto, professor e antropólogo Ademir Ramos(*) está divulgando a proposta para que os interessados se manifestem quanto ao período de realização, podendo ser na última semana de fevereiro ou no início de março, somando as 40 horas de trabalho. O investimento a ser feito por cada participante será no valor de R$ 100,00. O Seminário contará com a participação de convidados, quando na oportunidade se fará análise de estudo de caso na perspectiva de se compreender as estratégias indutoras do sucesso, a palavra mágica do mercado. Aguardamos as manifestações dos interessados para poder definir turmas se assim for.
Objetivo: Analisar os conceitos fundamentais da Indústria criativa, que determinam estratégias de mercado, gerando trabalho, emprego e renda a partir do capital intelectual agregado às habilidades, competências e gestão dos artistas e produtores Culturais do Amazonas.
Estratégia: Antes de focar o desenvolvimento da Indústria Cultural enquanto campo específico das ciências sociais é importe esclarecer que esta indústria hoje crescente está identificada como indústria criativa, utilizando como matéria-prima o processo de criação, inovação, tendo por referência os bens culturais, englobando desde o artesanato, meio ambiente, gastronomia, turismo, música, moda, biodiversidade até as produções audiovisuais, entre outras.
O que se discute nos fóruns nacionais e internacionais são procedimentos, que promovam a relação Cultural e Ação Social afirmativa de reconhecimento das identidades e das diferenças, primando por valores materiais e simbólicos agregados a um projeto de políticas públicas e socialmente responsáveis, que resulte na superação do neocolonialismo, na desigualdade social, bem como na melhoria de qualidade de vida para as comunidades participantes desse projeto de desenvolvimento sustentável.
Saiba que: “Se a riqueza caracteriza o desenvolvimento, então a pobreza de origem econômica é freqüentemente o resultado da distribuição desigual de riqueza e dos frutos do crescimento econômico” Labben apud Nkwi – As dimensões Culturais da Transformação Global, UNESCO, 2001).
Nessa perspectiva se discute também as relações entre Cultura e Transformação Econômica, visando a sustentabilidade do homem, interagindo com o meio ambiente, numa prática conservacionista.
Nesse contexto relacional faz-se necessário que se fortaleça os valores culturais locais, por meio de políticas públicas e socialmente responsável formadoras de capital intelectual criativo, compreendendo a cultura como uma estrutura dinâmica capaz de processar novas leituras, apropriando-se de novas tecnologias, gerando trabalho, emprego e renda aos atores locais.
A viabilidade dessas metas no curso do processo de desenvolvimento sustentável exige, que os empreendedores responsáveis estejam qualificados e organizados para operar no mercado, como gestores de sistemas de informação culturais, conhecendo a potencialidade da cultura – material e simbólica – da Amazônia e, compreendendo-a como novas oportunidades de negócio no mercado da indústria criativa. Assim sendo:
Sabe-se que o Empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, é fruto dos hábitos, práticas e valores das pessoas. Existem famílias mais empreendedoras do que outras, assim como cidades, regiões, países. Na verdade aprende-se a ser empreendedor pela convivência com outros empreendedores em um clima em que ser dono do próprio nariz, ter um negócio é considerado algo muito positivo. (Filion apud Dolabela 1999, p. 33 -4).
Quanto ao conceito e suas determinações:
O empreendedor vê nas pessoas uma das suas mais importantes fontes de aprendizado e não se prende, como profissionais de algumas áreas, somente a fontes ‘reconhecidas’, tais como literatura técnica, relatórios de pesquisas. Cursos reconhecidos, etc. (...) O que importa não é o que se sabe, mas o que se faz. (Dolabela, 1999, p. 35 -38).
Ação: Convidar empreendedores com história de sucesso – comerciantes, políticos, grupos culturais, religiosos, artistas, empresários entre outros, para prestar depoimentos quanto à sua iniciativa, determinação, aprendizagem, pontos fracos e fortes e visão de futuro numa ação interativa com os participantes.
Em seguida procura-se analisar os cenários, identificando produtos que podem ser desenvolvidos focando no horizonte da industria criativa, dando ênfase no desenvolvimento de habilidades particulares, capacidade técnica e de gestão cultural, sobretudo na potencialidade do Ator e a formatação de seu Projeto de Trabalho.
Considerando o valor da proposta elaboramos algumas recomendações pautadas na obra de Sue Jenkyn Jones, Fashion Design – manual do estilista (2005) para ser devidamente apreciada em plenário:
- Capacidade de pesquisar e aplicar de modo criativo, independente e contextualizado;
- Capacidade de analisar, resolver e comunicar problemas quanto ao processo de criação;
- Questionamentos intelectuais e criativos para tomada de decisão, avaliando os riscos;
- Habilidade, imaginação e originalidade no desenvolvimento das técnicas com matérias, imagens, cores e formas;
- Capacidade de sintetizar idéias próprias na formatação de um produto cultural;
- Compreensão das estratégias e “manhas” dos concorrentes da indústria criativa;
- Capacidade de trabalhar individualmente e em equipe;
- Boas práticas de apresentação trabalho quanto as formas visual, oral e escrita;
- Gerenciamento do tempo, autodirecionamento e autocrítica avaliativa;
- Audácia, ousadia, estilo, visão de futuro, ser empreendedor.
Finalmente, para se analisar a potencialidade desse mercado da Indústria Criativa destacamos as palavras da renomada produtora cultural, Carmen Pousada, expondo sobre o Brasil dos Artesãos no Catálogo sobre o DESIGN BRASILEIRO, 2005. A autora afirma que:
O artista-artesão movido pela arte do saber e do fazer, é influenciado pelo ambiente, pela cultura e pelas tradições locais. A natureza rica em matérias-primas oferece aos nossos talentosos artistas e artesãos variedades e abundância de materiais a serem transformadas por sua criatividade e técnica em belos úteis objetos p.39).
(*) Professor, pesquisador, antropólogo da Universidade Federal do Amazonas coordenador geral do NCPAM e autor do Projeto de Pesquisa, Amazonas: Diversidade Cultural Iconográfica (UFAM/UNISOL e SEBRAE).
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
PRESIDENTE DA OAB/AM PROMETE CRIAR BANCO PARA OS ADVOGADOS
"Vamos brigar para lutar e defender os direitos e prerrogativas dos advogados e, de igual forma, todos os assuntos referentes à questão dos Direitos Humanos. A OAB estará presente, como sempre esteve, a exemplo da questão dos presídios e das penitenciárias", afirmou Mendonça. Entre os convidados da solenidade, que reuniu mais de 500 pessoas entre autoridades e advogados no auditório da sede do Ministério Público Estadual, esteve presente o diretor do Conselho Federal da OAB, Ophir Cavalcante Júnior. Hoje, a OAB do Amazonas reúne mais de oito mil advogados inscritos.
CINEMA CAÇA NÍQUEL
Lula: o filho do Brasil é uma das maiores barrigas da historia do cinema brasileiro e uma prova de que um orçamento gigantesco não é uma condição determinante para a qualidade das produções.
Fábio Barreto perdeu uma boa oportunidade de fazer um estudo, tomando a trajetória da vida de Lula como tipo ideal, sobre o fenômeno da migração Nordeste-Sudeste e suas implicações para a vida social brasileira, como estes migrantes, que em sua terra natal eram pequenos agricultores, expulsos de suas propriedades em virtude da falência do modo de produção tradicional, atraídos para as grandes capitais, fruto de um modelo de desenvolvimento autoritário modernizante adotado a partir de 1964 e caracterizado por uma industrialização concentradora de renda e dependente.
Barreto também perdeu a chance de mostrar como estes mesmos migrantes, no processo de expropriação/proletarização, se organizam contra a tirania do capital e pautam seu método de resistência a partir da práxis cotidiana — trocando em miúdos, o diretor roteirista poderia ter feito um verdadeiro épico brasileiro, a partir da marcha de milhares de homens e mulheres que singraram para todas as regiões brasileiras e deram esta conformação atual para o Brasil.
Infelizmente foi uma chance perdida. Barreto reduziu a espetacular historia do presidente operário a um capitulo estendido de novela das oito, com todos os chavões e clichês que o gênero precisa ter para agradar as mentalidades mais rasas que fazem parte de sua audiência. Além disso, o endeusamento do futuro presidente é tal, que chega mesmo a dar a impressão de tentar-se compará-lo ao Messias, tirando qualquer possibilidade de representar Luiz Inácio da forma com realmente é: um líder repleto de contradições.
As deficiências do roteiro são dezenas. Num certo momento, quando Lula pede em casamento sua primeira mulher, esta lhe responde: “Se tu morrer eu te mato” (!). Também há outras pérolas que se eu decidisse transcrevê-las aqui encheriam a página. O filme possui várias cenas descoladas, sem qualquer ligação que permita perceber sua contribuição para o andamento da narrativa, como aquela em que Lula, já um jovem operário, chega bêbado em sua casa e sua mãe, interpretada de maneira convincente por Gloria Pires, lhe diz: “Primeiro a obrigação, depois a distração.”
Outra cena mal feita foi a do momento em que Luiz Inácio perde o dedo, parecia mesmo que o diretor a colocou de qualquer maneira no decorrer do filme, como se durante a edição final, esquecendo de contar este fato, fizesse um recorte preguiçoso para sanar a carência.
Parece constrangedor um filme que teve 16 milhões em seu orçamento contar com tanta pobreza de meios para sua realização. Um dos momentos em que isso fica latente é a cena da greve do ABC, que contava com 180 mil grevistas; com uma verba deste tamanho bem que o diretor deveria ter representado aquele momento histórico de proporções homéricas dando-lhe a devida magnitude, mas ao invés disso ele apela para imagens da época, como se tentasse economizar dinheiro, frustrando a expectativa de quem esperava uma representação grandiosa do fato — se a intenção era proporcionar mais realismo, o máximo que conseguiu foi colocar o espectador para fora do filme.
Entretanto, Lula: o filho do Brasil não se resume apenas a erros. A primeira parte da narrativa, retratando a vinda do futuro presidente para a São Paulo é bem convincente, assim como a representação de sua sofrida infância, em que já mostrava carisma no trato com as pessoas: quando ele e seu irmão estão vendendo laranja, e não conseguem nenhum freguês, Luiz Inácio pega uma fruta e aborda uma senhora, dizendo-lhe:
“Olha senhora, esta é a laranja mais gostosa de São Paulo, eu separei uma especialmente pra senhora.”
- “Mas que menino bonitinho! Vou comprar a laranja...”
O ator intérprete de Lula na fase adulta, também dá conta do recado, reproduzindo de maneira convincente, apesar da direção ingrata, a entonação de voz e os trejeitos de seu personagem — note a forma quase idêntica como ele gesticula nas cenas de comício.
Uma das criticas mais infelizes contra a produção, feita por órgãos da imprensa, a direita do espectro político, é a de que a produção é eleitoreira. Pura estupidez! Se estes panfletos neofacistas tivessem o mínimo de honestidade intelectual, perceberiam que o filme não faz nenhuma menção direta ao PT ou a pré-candidata á presidência Dilma Roussef; a película termina exatamente quando Lula é preso no final da década de 1970, vitimado pela ação energética do presidente general João Baptista Figueiredo, que tentava sufocar a greve dos operários do ABC.
Como a necessidade de ganhar dinheiro imediato foi grande demais, Barreto adaptou o filme as mentes mais estreitas, acostumadas aos dramas pastelões que se reproduzem desgraçadamente em nossas televisões. Se não tivesse feito qualquer concessão a mediocridade e realizado uma produção cult, teria auferido para a projeto alguns prêmios, tanto nacionais quando internacionais e, por conseqüência, levado bem mais que os poucos milhões arrecadados com o rendimento mediano de seu filme nas bilheterias nacionais.
O diretor Fábio Barreto transformou Lula: o filho do Brasil num mero caça níquel — e como tal será completamente esquecido daqui há alguns anos.
(*) Graduando de Ciências Sociais e Pesquisador do NCPAM/UFAM
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
CEZAR BRITO PRESTIGIA POSSE DA OAB DE GOIÁS
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, participa hoje (27) da solenidade de posse dos novos dirigentes da Seccional goiana da OAB, eleitos para o triênio 2010-2012. Os advogados serão empossados às 20h no Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da OAB-GO, na BR-153, em Aparecida de Goiânia. Serão diplomados os cinco diretores e 53 conselheiros da Seccional, além dos diretores da Casag. Tomarão posse Henrique Tibúrcio Peña, no cargo de presidente, Sebastião Macalé Caciano Cassimiro (vice-presidente), Flávio Buonaduce Borges (secretário-geral), Maria Lucila Ribeiro Prudente de Carvalho (secretária-geral-adjunta) e Enil Henrique de Souza Filho (diretor-tesoureiro).
No Amazonas, de forma retraída, a solenidade de posse dos novos dirigentes da Seccional da OAB será também nesta quarta-feira às 17h, no Auditório Carlos Alberto Bandeira de Araújo, do Ministério Público Estadual, na estrada da Ponta Negra, Balneário de Manaus. Divorciada das questões sociais a OAB do Amazonas promete muito mais sol e praia do que comprometimento com as lutas democráticas.


